Um Pouco Sobre a Nossa História

O VISIONÁRIO

“Ãngelo Bozzetto, um homem a frente de seu tempo.”

 

Ângelo Bozzeto: Trabalhador ousado e visionário, construiu as bases sólidas para o caminho do desenvolvimento que Faxinal do Soturno trilha até hoje.

            Na área industrial, a primeira firma de vulto da história de Faxinal foi a fábrica de trilhadeiras “Tigre”, fundada em 1921. A excepcional importância dessa industria no desenvolvimento da região justifica a abertura de um espaço um pouco maior para a apresentação da vida e obra desse homem fora de série, que foi Ângelo Bozzetto.

            Ângelo Bozzetto nasceu em 1894. Filho de Antônio e Luisa Lion Bozzetto, ajudou os pais na lavoura até a idade de 20 anos. A partir daí, empregou-se como carroceiro numa firma de Nova Palma, com um vencimento de 20 mil réis mensais. Mais tarde comprou uma carroça à crédito e começou a “carretear” por conta.

            Em 1920, convidado por amigos, associou-se a uma pequena empresa de arroz. Aumentando a plantação, esta viu-se obrigada a adquirir uma trilhadeira. Como, porém, os recurso eram poucos, resolveram comprar uma bastante usada e de construção primitiva. A máquina, infelizmente, encontrava-se em tão péssimas condições que era impossível endireitá-la pelos meios comuns.

            Foi então que se evidenciou a queda do moço Ângelo para a mecânica. Tanto parafusou, tanto experimentou e calculou que chegou a transformar aquele “caco velho”, como ele chamava numa máquina que trilhava de verdade, não só arroz, mas também trigo e outros cereais. Nessa reforma, Ângelo, além da substituição de algumas peças, havia acrescentado outras, até então desconhecidas.

            Diante do excepcional êxito alcançado, resolveu montar uma pequena oficina, modestíssima, dada a absoluta falta de recursos financeiros. A Produção passou a ser de 1 a 3 trilhadeiras por safra de cereais.

            Já com algumas características diferentes em 1924/25, construiu uma nova máquina, com maior capacidade de produção, acionada por trator “case”. Ele mesmo, quis estar lá trilhando mais de 4 mil sacos de trigo por ano, devido justamente à dificuldade da trilha. Com as facilidades trazidas pela nova trilhadeira, em poucos anos a produção passou a ser ao menos 10 vezes maior.

            Em 1930, graças a vultuosos empréstimos, construiu dois grandes pavilhões para instalar sua fábrica e ainda outro para a fundição. Assim ele conseguiria produzir quase todas as peças de que necessitava. Adquiriu também aparelhos de solda, motores elétricos e prensas, todas coisas indispensáveis ao aceleramento da produção.

            Faltava-lhe porém uma coisa essencial: energia elétrica barata dentro da oficina, o que o levou a instalar uma pequena hidrelétrica.

            Ângelo Bozzeto, sempre participou de todos os movimentos que tivessem por finalidade a ampliação do bem estar coletivo: Na construção da igreja da paróquia, criação do posto agropecuários, reforma da ponte metálica sobre o Soturno, nova iluminação pública urbana, criação da rádio local. Em homenagem à sua esposa Luiza Pigatto Bozzetto, construiu a Casa de Saúde, que levou o nome dela. Como político militante do PSD, elegeu-se vereador da Câmara Municipal de Cachoeira do Sul, tendo sido o candidato mais votado da situação, no município. Com o objetivo de projetar Faxinal do Soturno no conceito estadual, promoveu a visita dos governadores Walter Jobim, Ernesto Dornelles e Ildo Meneghetti. Casado com Luiza Pigatto, faleceu no dia 31 de maio de 1967. Vinte e cinco dias depois extinguia-se também sua esposa. Seu filho Vitélio continuou a trajetória do pai.

Benjamin Zago: As iniciativas de Ângelo Bozzetto contaram com a contribuição de outros imigrantes italianos das vilas de Nova Palma e Faxinal do Soturno, entre eles, a participação especial do industrial faxinalense. Sr. Benjamin Zago, proprietário do Moinho Zago, que na época despontava como grande beneficiar do trigo produzido na Quarta Colônia.As suas trilhadeiras, agora fabricadas em série, Ângelo Bozzetto deu o nome de “Tigre”.

 

A Tigre

            A razão dessa escolha ele mesmo a explica: “O tigre é um animal soberbo e perfeito, e por ser soberba e perfeita, a minha trilhadeira, batizei-a com esse nome. Ela é soberba na aparência e, perfeita no acabamento”.

           Com sua “Tigre” ele concorreu com êxito na primeira exposição estadual “Farroupilha”.

            Em 1936/37 resolveu modificar mais uma vez o sistema da trilhadeira, construindo um tipo completamente diferente das até ali conhecidas, tipo este que patenteou em 1937 como “modelo” de utilidade e, a seguir, requereu a patente definitiva, que obteve em 1939, sob o nº 26.959.

            A partir daí, a produção aumentou 200 por cento. Até os Governos Estadual e Federal começaram a adquiri-las para os seus campos experimentais.

            A “Tigre”, a trilhadeira acima do seu tempo”. Em breve projetava-se para fora das fronteiras do nosso estado, demandando Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Góias, Rio de Janeiro,Alagoas, Sergipe, Mato Grosso, Amazonas, bem como as repúblicas do Uruguai e da Argentina.

 

 

 MANTENEDORA

NOVA PALMA ENERGIA – desde 1932

 

            A história da Nova Palma Energia integra a epopéia da colonização italiana do Rio Grande do Sul, no final do século XIX, quando os imigrantes italianos colonizaram o Vale do Rio Soturno, região chamada Quarta Colônia de imigração italiana do RS.

            A vida comunitária e os excedentes de produção da terra criaram a necessidade e desafios e impulsionaram a construção de um pequeno aproveitamento hidráulico de geração de energia elétrica no rio Soturno. Em 1932 imigrantes empreendedores das vilas de Nova Palma e Faxinal do Soturno, proprietários de pequenas indústrias, serralherias, casas de comércio e moinhos coloniais, construíram a Usina Hidroelétrica Nova Palma Ltda.

            Esta iniciativa possibilitou o incremento e desenvolvimento do comércio e da indústria na região e a comunidade passou a ter iluminação em suas casas. Entre 1940 e 1950,o industrial faxinalense Ângelo Bozzetto, proprietário da maior fábrica de trilhadeiras da América Latina da época: a indústria Brasileira de Máquinas Agrícolas Tigre, percebeu a necessidade de mais energia para a expansão de sua empresa e entrou como o principal sócio financiador para a construção de uma hidroelétrica com maior potência, a Usina Cafundó, geradora de aproximadamente 1000 Kwa.

            Em 27 de janeiro de 1957, o empreendedor Ângelo Bozzetto conquistou a outorga emitida pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas, através do decreto nº 34.982. para aproveitamento da energia hidráulica da Cachoeira dos Mouros, no Rio Soturno distrito de Nova Palma,situado à época no município de Júlio de Castilhos, RS.

            Em novo decreto de nº 53.002, datado de 27 de novembro de 1963, o então Presidente da República, João Goulart, autoriza a transferência da concessão outorgada a Ângelo Bozzetto para a Usina Hidroelétrica Nova Palma Ltda. Já em dois de outubro de 1974 o Presidente da República, Ernesto Geisel, autoriza a usina Hidroelétrica Nova Palma Ltda a ampliar o aproveitamento hidroelétrico da Cachoeira dos Mouros, já no município de Nova Palma, cuja concessão outorgada a Ângelo Bozzetto, pelo Decreto nº 34.982. de 27 de janeiro de 1984, lhe foi transferida pelo decreto nº 53.002, de 27 de novembro de 1963.

 

            Na década de 1960, com as emancipações político administrativas de Nova Palma, Faxinal do Soturno, Dona Francisca e Restinga Sêca, o desenvolvimento e o crescimento urbano foram acentuados pela energia elétrica fornecida pela Nova Palma Energia. Foram construídos prédios públicos, mais escolas e hospitais. Expande-se o comércio e novas indústrias são instaladas. Nesse momento, a energia distribuída iluminava praticamente toda região da Quarta Colônia.

            Atualmente a Nova Palma Energia é a concessionária de serviço público de geração e distribuição de Energia que atende a Região Central. Possui aproximadamente. 15.300 unidades consumidoras numa área de concessão de 1,894 Km2. Atende aos municípios de Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Júlio de Castilhos (3º Distrito de São João dos Mellos), Nova Palma, Restinga Sêca, Santa Maria (Distrito de Arroio do Só), São João do Polêsine e Silveira Martins.

 

Sabendo mais

- A primeira Usina da região foi fundada em 1922, em Vale Vêneto;

- A segunda, em Faxinal do Soturno, no Arroio Portela, em 1926;

- Em 6 de julho de 1932, fundou-se a Usina Hidroelétrica Nova Palma Ltda, com 12 sócios de Nova Palma, um de Val Veronês, um de Faxinal do Soturno e um de Arroio Grande. Empregaram o capital de 115 contos, com a finalidade, além de gerar luz para as vilas, promover a instalação de indústrias nos povoados, como moinhos serrarias e oficinas.

- No Rincão dos Padilha, Nova Palma, terminam a sobras da construção da Nova Usina Hidroelétrica, chantada por Ângelo Bozzetto e Benjamin Zago, cujos inícios aconteceram em quatro de novembro de 1948. Há uma promessa cristã a São Patricio, a quem é erigido nas proximidades um capitel de regular tamanho. A obra em si, uma iniciativa arrojada. Desde areia quanto a maquinaria, eram trazidos pela Ferrovia, e daí por caminhões, veículos escassos na época pós-guerra. O caminho pelos campos.

-Usina Cafundó: as obras iniciaram em 1948 e foram desenvolvidas em duas etapas. Concluídas, respectivamente, em 1952 e 1958.

 

Dificuldades de toda ordem:

As dificuldades da época não foram motivos para o esmorecimento do empreendedor Ângelo Bozzetto. No inverno de 1946 ele contratou Lindolfo da Rosa, conforme relata sua filha Lolita de Mello da Rosa Scapin, para a construção da “Usinetta” e Usina nº2, no capitel, nas encostas do Rio Soturno. Inauguradas as obras da Usina maior, a Usineta, foi desativada para uma remodelação, no Soturno. “O Caminhão do Bozzeto fretava em Faxinal do Soturno,a peonada cabocla, que ficava toda a semana. Almoçavam em longas mesas no varandão do dormitório...O seu Ângelo aparecia para inspecionar de madeiras e tábuas, levadas pelas enchentes. Os pedreiros foram: Carlos Schio e Soldera de Novo Treviso, Trombudo e as máquinas novas montadas por Nardin Brondani...”